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Dor no pescoço: por que só ajustar a postura nem sempre resolve

Um estudo da UNIFAL-MG comparou orientação postural com acupuntura a laser em pessoas com dor cervical crônica. Conto o que os pesquisadores encontraram.

Dor cervical crônica

Celular na mão, notebook na mesa da cozinha, horas no trânsito, travesseiro errado. Não é à toa que a dor no pescoço virou companheira de tanta gente. E quando ela dura meses, deixa de ser “um mau jeito” e passa a ser o que chamamos de dor cervical crônica.

O primeiro conselho que quase todo mundo recebe é “corrige a postura”. Ele é válido, mas um estudo brasileiro mostra que, sozinho, pode não ser suficiente.

O que o estudo fez

Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação da UNIFAL-MG (Universidade Federal de Alfenas) conduziram um ensaio clínico randomizado com 44 voluntários com dor cervical crônica, divididos em dois grupos de 22:

O que eles encontraram

Os participantes foram avaliados antes do tratamento, ao final dele e 15 dias depois.

O grupo tratado com acupuntura a laser apresentou melhora na intensidade da dor, na incapacidade funcional e na incapacidade causada especificamente pela dor no pescoço. Na prática, isso significa menos dor e mais facilidade para as atividades do dia a dia.

É um estudo pequeno e com acompanhamento curto, então não é a palavra final. Mas é um resultado relevante, produzido aqui no Brasil, com método controlado.

Minha leitura

Eu tiro duas lições desse trabalho.

Primeira: informação ajuda, mas não trata. Saber como sentar, ajustar a postura ou seguir uma lista de dicas pode ser importante, mas um pescoço que dói há meses geralmente precisa de mais do que uma lista de orientações no WhatsApp. A dor persistente pode estar relacionada a diferentes fatores, como tensão muscular, contraturas, sobrecarga, aspectos emocionais e alterações que se mantêm na região. Na Acupuntura Integrativa, a avaliação não olha apenas para o local onde dói: busca compreender o conjunto de fatores que pode estar participando daquele quadro e trabalhar de forma individualizada sobre eles.

Segunda: acupuntura não é sinônimo de agulha. O laser estimula os pontos sem perfurar a pele, o que pode ser uma porta de entrada para quem sempre teve medo de agulha. Ainda assim, cada caso pede avaliação, e a técnica certa depende de você, do seu histórico e da origem da dor.

Se a dor no pescoço já faz parte da sua rotina, não normalize. Dor persistente merece investigação médica e um plano de cuidado, não só paciência.

Acupuntura: uma prática reconhecida e multiprofissional

A acupuntura deixou há muito tempo de ser vista apenas como uma prática ligada à tradição. Em 1995, o Conselho Federal de Medicina reconheceu a acupuntura como especialidade médica.

Hoje, sua atuação é também multiprofissional. A legislação brasileira permite que profissionais de saúde de nível superior, devidamente qualificados e com especialização reconhecida por seus respectivos conselhos profissionais, exerçam a acupuntura.

Em 2026, a acupuntura passou a ter regulamentação profissional própria em âmbito nacional (Lei nº 15.345, de 12 de janeiro de 2026).

Entre esses profissionais estão os fisioterapeutas, como é o meu caso. O COFFITO reconhece a Acupuntura como especialidade da Fisioterapia e regulamenta a atuação do fisioterapeuta especialista na área.

Isso mostra uma mudança importante: a acupuntura pode ser praticada por diferentes profissionais da saúde, desde que exista formação adequada e respaldo do respectivo conselho profissional. Não se trata, portanto, de uma prática restrita a uma única profissão.

No meu caso, minha formação em Fisioterapia, somada à formação específica em Acupuntura, é a base profissional para o trabalho que desenvolvo hoje.

Referências